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by admin12

A influência tecnológica na formação do professor universitário

11/09/2011 in Artigos

 
Professor universitário cristão

Professor universitário cristão

 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO

Por Robson Francisco das Chagas (*)

A utilização dos recursos tecnológicos na educação[1] se tornou primordial nos dias de hoje. É impossível que uma universidade ou escola que queira se tornar um modelo de excelência gerencial e de qualidade de ensino fique de fora deste contexto que aponta para um futuro irreversível. O desafio das mudanças quer seja de mentalidade quer seja de comportamento é um fator culminante nesta nova abordagem da educação mundial e também brasileira, principalmente no ensino da licenciatura plena, que prepara professores para os níveis fundamental, médio e superior.

Os recursos tecnológicos como apoio ao ensino de qualidade tem se mostrado altamente eficiente de modo que facilita o processo pedagógico, a contextualização dos programas disciplinares, bem como a metodologia e a prática docente.

A habilitação de professores universitários, a construção de novos valores, a inserção de novas dinâmicas e a promoção de novas de aprendizagem baseadas em novas tecnologias educacionais tendem a superar os valores até então estabelecidos. Baseando o conhecimento e a transmissão deste, através de uma visão futurista no qual a tecnologia impõe uma velocidade transferência instantânea e aproximando o conhecimento empírico dos alunos adquiridos através de suas experiências conduz a uma nova linguagem de informação e de comunicação.

Imagine um ancião de 80 anos diante de um caixa eletrônico de um banco. Quantas modificações ocorreram entre o caixa que preenchia vários documentos para um depósito em dinheiro e a facilidade de um caixa de auto-atendimento? E se a escola ou a universidade não estiver preparada para este novo modelo econômico, como sobreviverá?

A escola reflete a sociedade na qual ela está inserida. O aluno é sua clientela. Que cidadão formaremos se não estivermos integrado com a modernidade?

Esta interação entre a modernidade e a sala de aula estabelece um novo conceito de homem contemporâneo, que deverá ser capaz de adequar sua realidade tecnológica aos conceitos abstratos das ciências.

Romper entre o tradicional e o novo é um desafio a ser aperfeiçoado pelos novos profissionais do ensino superior. A sala de aula deixou de ser um local de cadeiras alinhadas uma atrás da outra, para um local de promoção e busca incessante pelo conhecimento. Um computador ligado a internet conduz o aluno a superar suas limitações bibliográficas e entrar numa rede de vasta ciência.

            Diante de tantos avanços tecnológicos, como utilizá-los na educação? Qual a utilidade do computador no cotidiano escolar? E o professor, será ou não substituído pela tecnologia?

Os recursos da tecnologia permitem conceber e verificar idéias ou hipóteses, que levam à criação de um mundo abstrato e simbólico, ao mesmo tempo em que introduz diferentes formas de atuação e de interação entre as pessoas. Essas novas relações, além de envolverem a racionalidade técnico-operatória e lógico-formal, ampliam a compreensão sobre aspectos sócio-afetivos e tornam evidentes fatores pedagógicos, psicológicos, sociológicos e epistemológicos.

Mas como o professor, preparado para uma pedagogia baseada em procedimentos que visam à acumulação de informações pelo aluno, poderá reinventar a sua prática e assumir uma nova atitude diante do conhecimento, da aprendizagem com a utilização da tecnologia?

Assim como não se pode mais questionar o uso do computador, bem como outros meios tecnológicos em educação, também não se deve adotá-lo como a panacéia para os problemas educacionais. E ai surge as seguintes questões: como capacitar o professor na utilização dos recursos tecnológicos? Como integrar a prática docente com as novas tecnologias? Vislumbrar o futuro da prática pedagógica apoiado em novas tecnologias educacionais?

Para isso, tentamos proporcionar uma visão crítica, teórica e prática do uso da tecnologia na educação considerando a formação de professores universitários e o processo educacional, sendo uma contribuição oferecida através deste trabalho.

            Mediante a tantos questionamentos surgiu o interesse e a necessidade de pesquisar como a tecnologia pode auxiliar na educação, tomando por início a formação do docente do ensino superior, observando os fatos que serão pesquisados e que despertam e motivam a realização da presente pesquisa.

Esta pesquisa é um estudo sobre a utilização da tecnologia na formação do docente. Os dados serão coletados a partir de publicações bibliográficas, pesquisa de campo e consultas em materiais diversos que esclareçam a utilização da tecnologia na educação, bem como sua eficácia na construção do conhecimento do alunado de modo geral.

Para facilitar o desenvolvimento e explanação dos questionamentos dividi este trabalho em cinco capítulos começando por um breve histórico sobre o uso da tecnologia e do computador em sala de aula, abordando também a preparação e formação de professores capacitados para utilizarem a tecnologia educacional. Passei a discorrer sobre a capacitação do professor universitário para o uso de novas tecnologias de informação e comunicação (NTIC) que, como multiplicador destes conhecimentos, formarão uma nova geração de professores.

No terceiro capítulo apresentei uma dissertação sobre o professor e a tecnologia e sobre novas formas de aprender diante das maravilhas computacionais. No capítulo seguinte vemos as necessidades de mudanças de paradigmas universitários através das novas tecnologias de informação e comunicação, seguido de um trabalho de campo e uma conclusão.

 

CAPÍTULO I

OS PRIMEIROS PASSOS

O primeiro tratado sobre o emprego dos recursos tecnológicos em educação foi em 1981.

As universidades seriam centralizadoras deste novo modelo de educação, já que era imperiosa a construção de conhecimento técnicos e científicos, bem como a formação de profissionais de ensino capacitados para sobrepujar o desafio de uma educação de qualidade vislumbrada com a tecnologia educacional.

A pauta era a melhoria da educação brasileira, garantindo um impulso motivacional capaz de estreitar a dinâmica do processo ensino-aprendizagem, adequado às necessidades educacionais de cada região do imenso território nacional.

Foi proposto a ampliação e o acúmulo de saberes nesta área através de pesquisas de âmbito nacional para o desenvolvimento de programas educativos que estivessem delimitados por valores sócio-culturais, políticos e pedagógicos, abrangendo a realidade do Brasil e preocupado, ainda, com a formação de profissionais com alto nível de conhecimento.

O MEC assumiu em 1984 o processo de informatização da educação do Brasil. Existia a preocupação com o cumprimento das metas estabelecidas pelo governo federal, pelo fato do país não dispor de conhecimento técnico-científico, fazendo com que as universidades buscassem subsídios para implantação de uma política educacional brasileira.

A capacitação dos professores dos sistemas estaduais de ensino público era o objetivo primordial que foi realizado pelo Projeto FORMAR, da UNICAMP. Depois de formados os professores tinham o compromisso de projetar e implantar um Centro de Informática Educativa – CIED.

Em 1989, o governo federal criou o PRONINFE[2] que visava à capacitação contínua e permanente de professores dos três níveis de ensino para o domínio dessa tecnologia em ambientes de ensino e pesquisa, a utilização da informática na prática educativa e nos planos curriculares.

Esta capacitação para efeitos práticos consistia no envio de kits tecnológicos que incluía TV, vídeo K7, antenas parabólicas e fitas VHS, objetivando com:

[...] esses meios, além de fornecer  aos professores programas especiais de aperfeiçoamento, propiciar ainda aos estudantes programas que ilustrem os conteúdos das aulas, tornando o estudo mais interessante. É um fato novo na escola pública brasileira, chegando a ser uma revolução dos meios a disposição, visto que seu acesso a tecnologias educacionais tem se resumido às de baixo custo (quadro-negro, giz, material didático, etc).  (ANDRADE, 1995, p. 1)[3]

O PRONINFE também deveria integrar, consolidar e ampliar as pesquisas e socializar os conhecimentos e as experiências desenvolvidas.

Estes foram os primeiros da introdução da tecnologia educacional nas salas de aulas brasileiras.

CAPÍTULO II

A CAPACITAÇÃO DE PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS

Não temo dizer que inexiste validade no ensino de que não resulta um aprendizado em que o aprendiz não se tornou capaz de recriar ou de fazer o ensinado, em que o ensinado não pode ser realmente aprendido pelo aprendiz. (FREIRE, 1978, p. 200)

Conseqüentemente não aprendem a pensar outra forma de conhecimento não produzem novos trabalhos, não criam novos ensinamentos. Desta falta de conhecimentos e aprendizagem, os novos profissionais se deparam com a dura realidade da vida que lhes obriga a esquecer as fracas teorias repetitivas. O ensino deve ser atividade do professor e do aluno e não apenas a representação de uma balança em desequilíbrio pendendo contra o aluno.

Acreditou-se durante muitos anos que a capacitação de professores universitários seria uma forma de melhorar a educação no país. Em tese, uma capacitação profissional no mais alto escalão produziria profissionais melhores nos níveis fundamental e médio. Esta idéia não repercutiu muito bem, pois a formação do docente para as séries iniciais se dá em nível do ensino médio.

Durante a década da educação prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN 9394/96), supunha-se a formação de professores somente em nível superior, o então chamado Normal Superior.

Isto foi outra criação fora da realidade nacional, já que o Brasil conta ainda com professores leigos, isto é, pessoas que trabalham no magistério sem nenhuma formação, e não houve nenhuma pesquisa feita que comprove que um professor formado em nível superior resolveria o problema da falta de qualidade na educação brasileira.

O professor universitário é um profissional voltado para o desenvolvimento e produção da pesquisa científica. Por isso sua formação deve ser mais bem elaborada, inserida dentro da nova realidade mundial na quais os recursos tecnológicos interagem e interferem em nosso dia-a-dia e comprometido com as transformações para uma nova ordem mundial.

Não há docência sem discência, as duas se explicam e seus sujeitos apesar das diferenças que os conotam, não se reduzem à condição de objeto, um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender.  (FREIRE, 1978, p. 98)

 

2.1 – O DOCENTE DO ENSINO SUPERIOR

No contexto universitário, as exigências de habilidades do professor educador tornam-se ainda mais abrangentes, visto que passa a desempenhar o papel de investigador de um conhecimento muitas vezes fracionado, tendo por fundamento uma perspectiva crítica, essencialmente baseada na pesquisa.

O professor universitário está incumbido de valorizar não somente a dimensão cognitiva, mas, sobretudo a dimensão afetiva da relação educacional, acolhendo a bagagem individual de cada acadêmico que é carregada de experiências das mais diversas. Sendo o espaço de uma sala de aula universitária é essencialmente heterogêneo, formado por diversos sujeitos, com individualidades e peculiaridades próprias, por isso devem ser recepcionado no momento do processo ensino-aprendizagem.

Destarte, na busca de uma educação universitária contextualizada, é necessário ser respeitado não somente a individualidade dos alunos como também do docente universitário, já que este é também um ser humano, com necessidades e carências e, como tal, precisa ser tratado na amplitude de sua dignidade de cidadão.

Outra questão de suma relevância que envolve o ensino do nível superior é a relação entre a teoria e a prática, visto que a esta, cada vez mais, vem sendo valorizada como um espaço de construção de saberes, tanto na formação dos professores, como na aprendizagem dos alunos.

Por outro lado, é importante, também, encontrar novas formas de contracenar com a teoria. O pensamento teórico, fruto de inúmeras formulações, só se adquire quando o presente e o passado são estímulos para o diálogo de significados entre o que o texto expressa e o que o leitor percebe. A teoria, como contribuição para a pesquisa e a reflexão, é sempre potencialmente útil quando não é entendida como fonte direta da prática, como queria a perspectiva positivista, mas sim como possibilidade de iluminar o leitor, desde que este tenha possibilidade de fazer um jogo com a sua própria luz. A relação entre a teoria acumulada e o aprendiz é atravessada por um elemento fundamental, nem sempre facilmente percebida pelo professor, que é a cultura.

Assim sendo, o trabalho do docente necessita ter por alicerce não somente a tal almejada prática, mas também a teoria, mas uma teoria inovadora, transformadora, onde se admita o envolvimento direto do acadêmico na sua construção, sendo ele um agente ativo da construção do processo ensino-aprendizagem.

 

CAPÍTULO III

O PROFESSOR E A TECNOLOGIA

 

3.1 – NOVAS FORMAS DE APRENDER

Com certeza muitas vezes já ficamos surpresos como alguns alunos apresentam respostas corretas para um determinado problema, mas utilizando uma maneira totalmente original no desenvolvimento.

Isto se dá pela maneira que como cada pessoa observa o problema apontado.

Sabemos que cada pessoa é diferente uma da outra e tem maneiras diferentes de ver o mundo. Nem todos serão médicos ou presidentes da república, mas todas as pessoas almejam atingir suas metas de vida.

Na primeira carta em que o apóstolo Paulo escreve aos cristãos da igreja de Corinto temos uma revelação através da qual já se observa as diferenças funcionais das pessoas. Deus em sua infinita sabedoria já mostrava que os homens teriam responsabilidades diferentes uns dos outros:

[...] a uns estabeleceu Deus na igreja, primeiramente, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois, operadores de milagres; depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. Por ventura, são todos apóstolos? Ou, todos profetas? São todos mestres? Ou, operadores de milagres? (ALMEIDA, 2002, p. 143) [4]

 Já que existem responsabilidades funcionais diferentes, é necessário então se pensar em novas formas de educar. A tecnologia educacional abre este novo horizonte, permitindo novos caminhos, novos métodos, possibilitando novos aprendizados.

Mercado (2005) já deslumbrava esta modificação ocorrida no cenário educacional:

Com as novas Tecnologias da Informação e Comunicações abrem-se novas possibilidades à educação, exigindo uma nova postura do educador. Com a utilização de redes telemáticas na educação, podem-se obter informações nas fontes, como centros de pesquisa, universidades, bibliotecas, permitindo trabalhos em parceria com diferentes escolas; conexão com alunos e professores a qualquer hora e local, favorecendo o desenvolvimento de trabalhos com troca de informações entre escolas, estados e países, através de cartas, contos, permitindo que o professor trabalhe melhor o desenvolvimento do conhecimento. (MERCADO, 2005, p. 65)

A internet permite que o desenvolvimento da aprendizagem possa ocorrer  no espaço virtual, que precisa estar inserido às práticas pedagógicas das universidades e escolas brasileiras.

O ambiente de aprendizagem seja em escolas ou universidades, na educação presencial é um espaço privilegiado de interação social, mas este deve se interligar e se integrar aos demais espaços de conhecimento hoje existentes. Deve incorporar os recursos tecnológicos e a comunicação via redes, permitindo fazer as ligações entre os diversos saberes se tornando um novo elemento de cooperação e transformação.

A integração do docente em sua prática  deve estar embasada na gama de informações adquiridas ao longo de sua carreira aliada as novas tecnologias educacionais, de modo a ser um profissional atualizado quanto às mudanças ocorridas na sociedade.

Não se pode mais admitir que um professor universitário ainda esteja preso a sua formação tradicional, renegando todo um legado evolutivo, na qual a tecnologia desponta para um futuro promissor e que a forma de produzir, armazenar e disseminar a informação que estão mudando; o enorme volume de fontes de pesquisas é aberto aos alunos pela internet, bibliotecas digitais em substituição às publicações impressas e os cursos à distância, por videoconferências ou pela internet. O Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), por exemplo, já é uma realidade na educação brasileira.

Com o avanço da tecnologia, novas alçadas são exigidas, novas maneiras de executar o trabalho pedagógico são exigidas. Para isso é necessário reformar  (formar de novo) continuamente o professor para desempenhar eficazmente  sua profissão neste ambiente virtual e tecnológico, que serve como mediador do processo ensino-aprendizagem.

Já para a formação do professor universitário contextualizado é preciso trabalhar nos currículos dos cursos de formação e de licenciatura, incentivando a utilização de novas tecnologias, estimulando a pesquisa voltada para realidade brasileira.

O objetivo de introduzir novas tecnologias na universidade é criar condições para que o formando esteja apto a lidar com as mudanças ocorridas no cenário mundial e adaptá-las a sua prática de futuro docente. O futuro professor, utilizando metodologias adequadas, construirá sua formação acadêmica de modo que a tecnologia já não lhe pareça “um bicho de sete cabeças”. O aprendiz, utilizando metodologias adequadas, poderá utilizar estas tecnologias na integração de matérias estanques. A escola passa a ser um lugar mais interessante que prepararia o aluno para o seu futuro. A aprendizagem centra-se nas diferenças individuais e na capacitação do aluno para torná-lo um usuário independente da informação, capaz de usar vários tipos de fontes de informação e meios de comunicação eletrônica.

A tecnologia poderá ser utilizada para criar, experimentar e avaliar produtos educacionais, cujo alvo é avançar um novo paradigma no sistema educacional, adequando-o à sociedade de informação para redimensionar os valores humanos, aprofundar as habilidades de pensamento e tornar o trabalho entre professores e alunos mais participativo, construtivo e cativante.

A integração do trabalho com as novas tecnologias no currículo, como ferramentas, exige uma reflexão sistemática acerca de seus objetivos, de suas técnicas, dos conteúdos escolhidos, das grandes habilidades e seus pré-requisitos, enfim, ao próprio significado do ensino de forma a conscientizar toda a sociedade escolar da importância da tecnologia para o desenvolvimento social e cultural.

CAPÍTULO IV
MUDANÇAS DE PARADIGMAS UNIVERSITÁRIOS ATRAVÉS DAS NOVAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO

A tecnologia permite uma nova visão da universidade,

[...] ao abrir suas paredes e possibilitar que os alunos conversem e pesquisem com outros alunos da mesma cidade, país ou do exterior, no seu próprio ritmo. Os trabalhos de pesquisa universitários podem ser compartilhados por outros colegas e divulgados instantaneamente na rede para quem quiser. Alunos e professores encontram inúmeras bibliotecas eletrônicas, revistas on line, com muitos textos, imagens e sons, que facilitam a tarefa de preparar as aulas, fazer trabalhos de pesquisa e ter materiais atraentes para apresentação. O professor pode estar mais próximo do aluno. Pode receber mensagens com dúvidas, pode passar informações complementares para determinados alunos. Pode adaptar a sua aula para o ritmo de cada aluno. Pode procurar ajuda em outros colegas sobre problemas que surgem, novos programas para sua área de conhecimento. O processo ensino-aprendizagem pode ganhar assim um dinamismo, inovação e poder de comunicação inusitada. (MORAN, 1995, p.26)

 

Embora esta tecnologia seja utilizada basicamente para jogos de diversão ou treinamento em áreas específicas de determinadas profissões, como por exemplo, programas de simulação de vôo, em algumas escolas ela já faz parte das aulas. Isto vem permitindo aos alunos, embarcarem em viagens no tempo e no espaço através de estações multimídia (tecnologia que une o microcomputador à televisão e aos discos laser, para acessar um banco de imagens e textos). Assim, eles vêem e manipulam informações, tornando o processo educativo mais divertido e interativo.

O avanço tecnológico e a modernização dos meios de produção proporcionaram a diminuição dos custos de aquisição, permitindo a inserção dos computadores, em larga escala, nas instituições educacionais. Mas também é mister uma concreta integração ao processo pedagógico. Criar uma nova disciplina em seu currículo visando preparar seus alunos para o domínio da informática ou incorporar os computadores aos seus espaços como mais um recurso disponível sem refletir sobre as possibilidades de contribuições significativas à prática pedagógica é um equívoco. Em muitas universidades um determinado método vem sendo priorizado e generalizado para todos os acadêmicos. Alguns se adaptam muito bem ao método em uso e acabam vencendo. Outros não sobrevivem ao massacre e acabam abandonando o curso iniciado.

Muitos educadores esquecem que o uso de tecnologias na educação, para apresentar resultados positivos, precisa estar associado a uma metodologia adequada. Não devemos encará-las como um remédio que irá resolver todos os problemas da educação escolar, nem apenas juntar a informática com a educação (isso não garante sua aplicação adequada), mas sim integrá-las entre si e à prática pedagógica.

É importante ressaltar que “nossa mente é a melhor tecnologia, infinitamente superior em complexidade ao melhor computador, porque pensa, relaciona, sente, intui e pode surpreender.” (MORAN, 1995, p.24). Por isso temos que valorizar a nossa mente e corpo, “integrando nossos sentidos, emoções e razão. Valorizando o sensorial, o emocional e o lógico.” (MORAN, 1995, p.24)

Sendo assim, a tecnologia educacional pode ser encarada como o processo de mudança na universidade brasileira.

A prática pedagógica, a atuação do professor e seu relacionamento com os alunos é que definem o uso adequado ou não do recurso tecnológico, e a que tempo, em que medida, isso deve-se dar, ou não.

É preciso que estejamos abertos, para não incorrermos no erro de usar as tecnologias e aparatos eletrônicos por si só, com um fim em si mesmo, destituídos de contextualização com as práticas didáticas  em sala de aula.

Na nossa prática escolar detectamos que a falta de um tempo específico para esse tipo de estudo incluso no horário de trabalho do professor é um entrave considerável para uma boa implantação da informática na escola. 

4.1 – O FUTURO DA PRÁTICA PEDAGÓGICA UNIVERSITÁRIA APOIADA NO USO DA TECNOLOGIA EDUCACIONAL

            Durante a realização deste trabalho, me perguntei: como seria a utilização da tecnologia na educação de modo eficiente? Seria utilizando a tecnologia no lugar do professor, isto é, em vez de falar todo o tempo projetaria uma transparência? Criaria condições de promover uma auto-ajuda ao aluno, de maneira que ele seria o próprio tutor de seu aprendizado?

Ou utilizaria a tecnologia educacional para desenvolver sua criticidade, estimular sua criatividade, desenvolver seu pensamento abstrato, possibilitando a capacidade de controlar e manipular a informação?

Diante destes questionamentos, buscamos uma análise mais profunda que nos permitiu entender que o uso inteligente da tecnologia não é um atributo inerente a mesma, mas está vinculado à maneira como nós concebemos a tarefa na qual ele será utilizado. Um sistema educacional mais conservador certamente deseja uma ferramenta que permite a sistematização e o controle de diversas tarefas específicas do processo atual de ensino. Uma máquina que ensine e administre esse ensino facilita muito a atividade do professor. Sistemas computacionais com tais características já foram desenvolvidos, desempenhando tarefas que contribuem muito para essa abordagem educacional e passando a ser muito valorizado pelos profissionais que compartilham dessa visão de educação.

            Quando fazemos uso dos recursos tecnológicos devemos ter em mente que numa abordagem pedagógica ela deve ser uma maneira de incrementar a relação pedagógica, facilitando e criando condições de desenvolvimento psicológicas que gerem mudanças de comportamentos.

As novas tecnologias de informação e comunicação produzidas por meio da informática cresceram de maneira vertiginosa e alcançaram progressos extraordinários. O conhecimento se tornou a indústria que proporciona à economia a matéria-prima fundamental e central de produção. Quem sabe mais, controla mais e domina mais.

 

4.2 – OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO FRENTE AOS RECURSOS TECNOLOGICOS

Uma preocupação e inquietação constante voltados para formação de professores especializados capazes de lidarem com as novas tecnologias educacionais. Com o desenvolvimento altamente acelerado da tecnologia houve uma preocupação muito grande com o sistema educacional brasileiro. Será que essas mudanças em grande escala ocorridas no limiar do século XXI trarão conseqüências no seio da sociedade, principalmente quanto à educação pública de qualidade?

Anísio Teixeira (1963) já demonstrava esta preocupação em seu texto Mestres de amanhã[5], na qual resume sua inquietação frente às mudanças ocorridas, principalmente na formação do professor.

Esta preocupação ainda existe, embora passados mais de 40 anos, já que a escola e a universidade pública não acompanharam na mesma velocidade estas mudanças.

A cultura tecnológica é uma realidade a qual não podemos fechar os olhos, pois temos já os programas de TV interativos que através de um telefone é possível participar ativamente dos quadros apresentados.

As defasagens entre o conhecimento científico produzido nas universidades brasileiras e as baixas condições de vida na sociedade demonstram que estamos longe de resolver nossos problemas cotidianos com a ajuda das pesquisas produzidas no meio científico. Outro fator importante é a falta de incentivo dos governos federais, estaduais e municipais na formação de uma elite de cientistas preocupados com a realidade do Brasil no campo do conhecimento intelectual e tecnológico de qualidade.

Distarte, há uma preocupação das universidades públicas e particulares em se adequarem a esta nova realidade educacional frente aos recursos tecnológicos. Existe um investimento muito grande na aquisição de computadores, simuladores e softwares que consigam diminuir este hiato tecnológico para que possam competir com esta onda cibernética que invadiu o sistema educacional.

Formar e capacitar professores capazes de enfrentar as novidades computacionais e tornar a sala de aula um lugar atrativo é, sem dúvida, um grande desafio a ser enfrentado pelas escolas e universidades, sejam públicas ou particulares. O próprio Ministério da Educação já identificou e autenticou que existe um descompasso entre o modelo tradicional de ensino e os recursos de informática atualmente disponíveis no cotidiano dos estudantes brasileiros, o que gera um desinteresse pela sala de aula, já que os estudantes têm sede de conhecimento e lhe falta uma torneira capaz de saciar o seu desejo.

 

4.3 – A TECNOLOGIAEM PROL DA EDUCAÇÃO

A maneira de como se utilizar as tecnologias na educação superior deve ser uma busca de cada curso, procurando adequar seus processos pedagógicos a essa realidade. O curso de medicina tem sido um dos principais beneficiados com a introdução dessas tecnologias nas universidades brasileiras, com programas de computadores que auxiliam no treinamento de procedimentos cirúrgicos virtuais antes de serem aplicados aos pacientes, permitindo que médicos simulem cirurgias com precisão de detalhes. A vantagem é poder decidir com antecedência a forma mais adequada de intervenção para cada caso, diminuindo as chances de erros. Da mesma forma que na USP foi criado um simulador de coleta de medula óssea, o primeiro sistema de realidade virtual para treinamento pediátrico do mundo. Os cursos de engenharia e arquitetura se valem das projeções tridimensionais para suas obras de artes (pontes, edifícios, obeliscos, lojas de departamento, etc) facilitando o controle e cálculos de estruturas.

Isto são apenas alguns exemplos do aproveitamento da tecnologia no ensino superior.

Diante do que foi apresentado, sabemos que um ensino tido como ideal se utiliza de várias linguagens, bem como os diferentes meios auxiliares de ensino disponíveis, de modo que o processo de ensino aprendizagem se torne eficaz.

 

CAPÍTULO V

A ESCOLA DE INSTRUÇÃO ESPECIALIZADA[6]: UM RECORTE DO USO DAS NTICs NA PRÁTICA PEDAGÓGICA

 

Sem dúvida o computador é o recurso tecnológico mais utilizado devido sua versatilidade.

Durante uma pesquisa de campo realizada nas Seções de Intendência, Música, Topografia e Identificação Datiloscópica da Escola de Instrução Especializada notei a presença marcante deste instrumento.

Nas Seções de Topografia e Música a ênfase está nos softwares específicos que facilitam a atuação do professor, melhorando a relação pedagógica de ensino-aprendizagem.

Na Seção de Música, por exemplo, programas como ENCORE, FINALE e SIBELIUS permitem que o professor possa desenvolver exercícios complexos de arranjos musicais, conforme uma orquestra,  verificando imediatamente o resultado. Em caso de notas musicais dissonantes, basta apenas um ouvido apurado e um toque na tecla do computador e o problema está resolvido.

Os programas permitem também a montagem de instrumentos de avaliação de forma rápida e precisa, já que o discente tem a oportunidade de “ouvir” sua própria avaliação.

A Seção de Topografia tem a responsabilidade de formar o militar responsável pelo levantamento topográfico de uma determinada área, permitindo a confecção de cartas (mapas) de interesses militares ou civis. É muito utilizada na construção civil.

Os softwares como MICROSTATION, que através de ferramentas específicas do programa, permite a produção de cartas topográficas de acordo com as convenções da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), sendo utilizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pela Diretoria do Serviço Geográfico.

O TOPOGRAPH que faz a coleta, processamento e análise de dados topográficos para fins de levantamento e produção de cartas topográficas.

Isto nos mostra que apesar de serem programas com finalidade específica, facilitam em muito a compreensão dos discentes durante seu curso de formação.

As Seções de Intendência e Identificação Datiloscópica utilizam o computador como um meio auxiliar de instrução, que com programas comuns do OFFICE, tais como: Word e Powerpoint permitem a criação de CD interativos visando uma ambientação dos discentes antes das aulas propriamente ditas. É uma oportunidade dos alunos contribuírem individualmente para sua própria formação, baseada nas instruções pedagógicas de Paulo Freire – do aprender a aprender.

5.1 – IDÉAIS SIMPLES COM RESULTADOS SURPREENDENTES

É notável também que na Seção de Identificação Datiloscópica, uma combinação de diversas tecnologias permite criar um ambiente de aprendizagem bem próximo da realidade. Esta Seção trabalha com análise morfológica do rosto das pessoas, observando certos detalhes característicos de raça, tais como: a forma da boca, da orelha, do nariz, do rosto. Analisa as notações cromáticas dos olhos, da cútis, dos cabelos da cabeça. Observa também  certas particularidades do corpo – cicatrizes e amputações.

A finalidade é realizar uma identificação humana através dos caracteres físicos individuais. O aluno deve analisar uma pessoa e descrever um retrato do seu perfil apenas com os dados observados. A dificuldade neste processo é obter uma vasta variedade de pessoas que possuam diferentes notações morfológicas, cromáticas e particularidades.

Com o uso de uma máquina de fotografia digital e um programa de tratamento de imagens, os professores da referida seção criaram álbuns de imagens com todos os detalhes necessários para uma análise, de modo que é possível a montagem de um retrato falado.  Antes de partirem para uma aula prática, isto é, analisar uma pessoa e identifica-la através dos caracteres físicos individuais, o aluno analisa várias fotografias através do computador conectado a uma TV de 29 polegadas até ficar apto.

Outra façanha conseguida pelos professores deste curso foi a filmagem de um ato cirúrgico em um cadáver. Eles empregaram uma filmadora convencional (VHS) e transformaram a imagem em sinal digital e montaram um CD interativo que permite conhecer a identificação humana no Brasil e no mundo, através das linhas papilares (dados sinaléticos que todos os seres humanos possuem nas pontas dos dedos, palma das mãos e planta dos pés). O filme mostra o momento que um técnico em necrópsia faz um desluvamento, isto é, a retirada da derme que recobre a ponta dos dedos. Este procedimento é necessário em cadáveres em adiantado estado de putrefação ou queimado para se proceder a identificação através das impressões digitais.

Isto mostra que se os profissionais do ensino forem pessoas comprometidas com a educação e conhecedores das tecnologias educacionais existentes, conseguem, com idéias simples e com poucos recursos, facilitar, de maneira surpreendente, o processo de ensino-aprendizagem.

O Exército Brasileiro possui um manual que trata especificamente sobre a orientação de professores e instrutores, considerando todos os chefes como especialistas em assuntos militares e estando capacitados para ajudar na aprendizagem. Este se chama MANUAL DO INSTRUTOR. Nele vemos a preocupação com a formação e o preparo do docente e também com os meios auxiliares de ensino, dando sugestões de quando e onde emprega-los.

O aprendizado de um novo referencial educacional envolve mudança de mentalidade [...]. Mudança de valores, concepções, idéias e, conseqüentemente, de atitudes não é um ato mecânico. É um processo reflexivo, depurativo, de reconstrução, que implica em transformação, e transformar significa conhecer. (PRADO, 1993, p.1)

            São muitos os relatos e materiais que discutem a questão da tecnologia como um recurso e auxílio à formação do conhecimento. Tais relatos e materiais despertaram os interesses de diferentes pesquisadores em diversos países, particularmente quando o tema em foco é a tecnologia educacional.

            Tudo começou em 1987 quando fui aprovado, em concurso de âmbito nacional, a cursar, no ano seguinte, uma das mais tradicionais escolas do Exército Brasileiro.

            Dentre tantos conhecimentos ligados às áreas cognitivas, psicomotora, afetiva e profissional estava sempre presente nas aulas o projetor de slides, o retroprojetor, projetor de opaco, projetor de filmes e o computador, que para mim foi o primeiro contato prático com aquele tipo de equipamento que avançaria rapidamente pelos períodos subseqüentes até hoje.

            Em 1998 conheci a Escola de Instrução Especializada, uma Organização Militar do Exército Brasileiro que tem como missão precípua de formar militares especializados nas mais diversas áreas do conhecimento militar. Esta imensa responsabilidade com o ensino e com o modo de se transmitir os conhecimentos faz com que o Exército, e em particular a EsIE e os demais Estabelecimentos de Ensino, a cada dia atualizem-se com o que há de mais moderno na área pedagógica, permitindo hoje em dia a crescente utilização das técnicas de ensino à distância e ambientes virtuais de aprendizagemem suas Organizações Militaresdispersas pelos mais variados e longínquos rincões de nossa pátria.

            Isto requer dos profissionais de ensino, professores e monitores, uma formação adequada e baseada nesta nova realidade de aprendizagem, inserida no processo pedagógico. Isto rompeu com os paradigmas na formação desses.

            A utilização de softwares educacionais facilitou em muito o trabalho do professor em sala de aula. Com a informática, nós passamos a desenvolver um utilitário denominado de NEAC (Núcleo de Ensino Assistido por Computador) que visa atender as necessidades do futuro aluno de especialização nos diversos aqui existentes.

Em 1993, freqüentei o curso de Auxiliar de Ensino no Centro de Estudos de Pessoal (CEP), outro estabelecimento de ensino do Exército, situado no Rio de Janeiro, onde conheci a vídeo-conferência, um método baseado em transmissão de imagem e som. Com uma TV e uma câmera em cada local de contato era possível uma tele-aula de modo interativo.

            O acúmulo destas experiências me possibilitou perceber que o mundo vive um acelerado desenvolvimento, em que a tecnologia está presente direta ou indiretamente em atividades bastante comuns. A escola, e isto é verdade, faz parte do mundo e para cumprir sua função de contribuir para a formação de indivíduos que possam exercer plenamente sua cidadania, participando dos processos de transformação e construção da realidade, deve estar aberta e incorporar novos hábitos, comportamentos, percepções e demandas.

CAPÍTULO VI

CONCLUSÃO

As novas tecnologias têm um significativo impacto sobre o papel dos professores e na sua formação, pela reciclagem constante recebida via rede, em termos de conteúdos, métodos e uso da tecnologia, apoiando um modelo geral de ensino que encara os estudantes como participantes ativos do processo de aprendizagem e não como receptores passivos de informações ou conhecimento, incentivando-se os professores a utilizar redes e começarem a reformular suas aulas e a encorajar seus alunos a participarem de novas experiências.

O uso adequado destas tecnologias estimula a capacidade de desenvolver estratégias de buscas; critérios de seleção e habilidades de processamento de informação, não só a programação de atividades. Em relação a comunicação, estimula o desenvolvimento de habilidades sociais, a capacidade de comunicar efetiva e coerentemente, a qualidade da apresentação escrita das idéias, permitindo a autonomia e a criatividade.

Os trabalhos de pesquisa podem ser compartilhados por outros alunos e divulgados instantaneamente em rede para quem quiser. Alunos e professores encontram inúmeros recursos que facilitam a tarefa de preparar as aulas, fazer trabalhos de pesquisa e ter materiais atraentes para apresentação. A possibilidade de que os usuários tenham acesso às redes de informação de todo o mundo durante todo o período escolar, independente do lugar geográfico em que estudam, amplia sua visão de mundo, sua capacidade de comunicar-se com pessoas de outras culturas, idiomas, interesses.

Os projetos exitosos estão centrando seus esforços no interesse em incorporar as novas tecnologias como uma ferramenta habitual nas práticas docentes pode conseguir gradualmente mudanças significativas na qualidade e efetividade de seu trabalho.

A formação de professores em novas tecnologias permite que cada professor perceba, desde sua própria realidade, interesses e expectativas, como as tecnologias podem ser útil a ele. O uso efetivo da tecnologia por parte dos alunos, passa primeiro por uma assimilação da tecnologia pelos professores. Se quem introduz os computadores nas escolas, o fazem sem atenção aos professores, o uso que os alunos fazem deles é de pouca qualidade e utilidade. Além disso, o fato de só colocar computadores em uma escola raras vezes traz impacto significativo. Para atingir efeitos positivos, é fundamental considerar uma capacitação intensiva inicial e um apoio contínuo, começando com os professores, quem a sua vez, poderão capacitar a seus alunos. É necessário planejar a integração da tecnologia na cultura da escola, fenômeno de avaliação gradual, que requer apoio externo.

Espera-se do professor no século XXI que ele seja aquele que ajude a tecer a trama do desenvolvimento individual e coletivo e que saiba manejar os instrumentos que a cultura irá indicar como representativos dos modos de viver e de pensar civilizados, específicos dos novos tempos. Para isso, ainda são necessárias muitas pesquisas em novas tecnologias da informação, modelos cognitivos, interações entre pares, aprendizagem cooperativa, adequados ao modelo baseado em tecnologia, que oriente a formação de professores no seu desenvolvimento e ofereça alguns parâmetros para a tarefa docente nesta perspectiva.

É mister notar que a utilização da tecnologia como instrumento de facilitação do processo pedagógico deve estar acompanhada das técnicas de ensino já desenvolvidas e outras que podem ser criadas.

A tecnologia por si só não educa, não substitui o professor, nem as relações interativas da sala de aula.  Só para lembrar, o homem chegou à lua em 1969 e nós vivíamos num período em que a pedagogia tradicional dominava a educação brasileira, da educação infantil ao ensino superior e a tecnologia não chegava nem perto da sala de aula.

A formação do profissional do ensino deve estar alicerçada nos amplos conhecimentos já desenvolvidos pelos seres humanos e a tecnologia educacional apenas complementa e facilita o processo pedagógico.

O desafio está em se promover as mudanças ditadas pelo novo mundo, absorvendo-se os triunfos já alcançados e a serem conquistados pela ciência e pela tecnologia, colocando-os a serviço de toda a humanidade, impedindo, entretanto, que o cresci­mento desordenado, sem preocupação com o ser humano e com os recursos do planeta, nos leve a sobreviver de maneira desastrosa. Para isso, o professor do novo milênio deve estar preparado e acostumado com as nuances eletrônicas.

Ao aproximarmo-nos do fim deste século, por uma ou outra razão, “o chão está tremendo sob os pés de cada um de nós“. (HOBSBAWN, 1992, p. 232)

Assim, o docente não poderá continuar de costas para as trans­formações que estão ocorrendo e que a humanidade terá que enfrentar. Precisamos incorporar as mudanças ocorridas no mundo, li­dando com elas e colocando-as à nossa disposição, à disposição da nossa escola, da nossa sociedade, num movimento articulado. Para isso, a formação do docente não termina com a colação de grau, isto é, ela nunca termina.

A responsabilidade que se impõe para cada ser humano hoje é de transformação profunda de nossa relação com o planeta Terra e com os outros homens. A possibilidade da transformação é a possibilidade da própria vida.

A formação de professores conhecedores de tecnologias educacionais é mister para um caráter transformador na construção de uma sociedade justa, solidária e democrática.

Infelizmente a mesma droga que cura pode matar. Em tecnologia podemos ter a mesma afirmativa. Estou falando dos bate-papos e outros lixos ditos pedagógicos, que estão contribuindo para uma deseducação no Brasil. Muitos jovens que ficam ligados em chats e utilizam abreviaturas fora das normas, inventando palavras para diminuir o tempo de digitação, dando maior velocidade a conversa via internet ou utilizam mídias interativas que mais auxiliam para uma deseducação do que para qualquer outra coisa. Isto contribui para a formação de um léxico alheio as normas cultas.

A dependência da tecnologia pode transformar o homem num ser subordinado as facilidades eletrônicas ou mecatrônicas, que esquecem de coisas simples. Por exemplo, quem sabe tirar o leite da vaca? Quem sabe cultivar uma horta ou plantar um pomar? Ou quem sabe acender uma fogueira usando uma vareta de madeira?

 

REFERÊNCIAS

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[1] Tecnologias Educacionais. http://paginas.terra.com.br/servicos/plenariovirtual/novastecnologias/introducao.htm, acesso em janeiro de 2007

 

[2] MORAES, Maria Cândida. Informática Educativa no Brasil: Uma História Vivida, Algumas Lições Aprendidas. PUC/SP- Coordenadora Geral do PRONINFE/MEC 1998.

[3] ANDRADE, Paulo F. Modelo brasileiro de Informática na educação. 1995, http://www.niee.ufrgs.br/ribie98/CONG_1996/CONGRESSO_HTML/43/43.HTML, acessado em 12 Fev 07.

 

[4]  ALMEIDA, João Ferreira (Trad). Bíblia Sagrada: o antigo e o novo testamento. 2ª Ed, revista e atualizada, Barueri, SBB, 2002, p. 143. Primeira Carta aos Coríntios, Capítulo 12 versículos 28 e 29.

[5]  TEIXEIRA, Anísio. Mestres de amanhã. Acessado em 20 Fev 2007. Disponibilizado: http://www.prossiga.br/anisioteixeira/artigos/mestres.html. Este texto, disponibilizado na Biblioteca Virtual Anísio Teixeira, foi conferência proferida em sessão do Conselho Internacional de Educação para o Ensino, reunido no Hotel Glória, no Rio de Janeiro, em agosto de 1963, e publicada na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Rio de Janeiro, v. 40, n. 92, out./dez., 1963. p. 10-19.

[6] A Escola de Instrução Especializada é um estabelecimento de ensino superior que especializa e estende conhecimentos a militares do Exército Brasileiro, conforme a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96, Portaria Nr 614, do Comandante do Exército, de 13 de novembro de 2000 e Portaria Nr 154 do Departamento de Ensino e Pesquisa, de 07 de dezembro de 2006.

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(*) ROBSON FRANCISCO DAS CHAGAS – Formado em Pedagogia, História e Teologia. Especialista em Docência do Ensino Superior pela UCB. Especialista em Psicopedagogia e Orientação Educacional pela UFRRJ. Mestrado Profissional em Pedagogia Cristã. Diretor do Instituto Teológico Monte das Oliveiras

Currículo:  http://lattes.cnpq.br/4612435560820947